É possível se proteger dos ataques cibernéticos?

O alarmante aumento do número de ataques cibernéticos em todo o mundo é um dentre os (muitos) efeitos indiretos da pandemia da Covid 19. A transição repentina para o home-office, muitas vezes com a utilização de equipamentos pessoais e a longa permanência de grande parte dos colaboradores fora do ambiente corporativo, propiciou um terreno pouco protegido para os ataques de malware

Uma das práticas que mais cresceu foi o ramsomware. Este sequestro virtual realizado por um software malicioso que bloqueia arquivos e sistemas, dá poderes aos hackers para exigir valores altos em bitcoins, moeda não rastreável, pelo resgate dos dados e acesso aos sistemas. Em 2020 cerca de 62 milhões de brasileiros foram vítimas de crimes cibernéticos, segundo a World Economic Forum (WEF). A estimativa do custo global dos ataques cibernéticos é de U$600 bilhões por ano.

O vazamento de dados e o bloqueio de acesso aos sistemas trazem prejuízos que não se restringem às altas somas desembolsadas para o resgate; corroem a imagem das empresas, comprometendo sua credibilidade e gerando perdas muitas vezes irreparáveis. Em casos extremos pode levar, até mesmo, à descontinuidade do negócio. 

Entretanto, fato é que os ataques cibernéticos ocorrem onde há brechas na segurança. E grande parte dessas brechas são decorrentes de falha humana, muitas vezes gerada pela falta de treinamento e orientação apropriados. A mudança de hábitos das equipes, a correção de pequenos vícios de comportamento aliados à criação de rotinas ajustadas são complementos essenciais à utilização de softwares confiáveis e sistemas atualizados.

Sem querer trazer para este artigo uma bula de prevenção para ataques cibernéticos, vale lembrar 5 atitudes que podem contribuir para minimizar e proteger empresas e usuários individuais, de ataques cibernéticos:

  1. Utilizar SOMENTE senhas seguras e não clicar em links suspeitos; 
  2. Utilizar ferramentas de backup confiáveis;
  3. Utilizar softwares de segurança comprovadamente eficientes;
  4. Manter os programas atualizados;
  5. Utilizar computadores, notebooks e smartphones exclusivos para o uso profissional, separando as ferramentas de trabalho das de uso pessoal;

A tecnologia direcionada para a segurança do ambiente cibernético avança em grande velocidade. As novas soluções de monitoramento e contenção de ataques surgem, agora, direcionadas aos dados.  A aplicação da inteligência artificial otimizando processos e a segurança em nuvem permitem um maior controle e uma mais eficaz barreira protetiva. 

Não é sem razão que, em recente pesquisa do IDC, mais de 60% das empresas brasileiras têm a segurança cibernética como prioridade e que é esperada a inversão de US$900 milhões em segurança digital para o ano de 2021.

Em complementação a procura pelos seguros cibernéticos tem crescido exponencialmente, com um número cada vez maior de seguradoras se dedicando ao ramo. Enquanto as indenizações em 2019 somaram R$145 mil, foram pagos R$12,9 milhões de reais em sinistros cobertos, somente no primeiro semestre de 2020.  

Ainda assim, nunca é demais lembrar que o dedo que toca a tecla é da mão de um de nós que precisamos ser informados, conscientizados, treinados e sobretudo, atentos, no melhor uso possível do teclado.

Gloria Faria 20 de abril de 2021